Serviço de saúde em França para expatriados

Como aceder ao sistema de saúde francês

Prefere saber as boas ou as más notícias primeiro? As boas notícias é que França tem um sistema de saúde excepcional, com os mais elevados padrões de cuidados de saúde de todo o mundo. As más notícias - aceder a esse serviço não é caro, mas pode ser muito, muito complicado.

O seu acesso ao serviço vai depender de vários factores. Por exemplo, depende se reside em França; e se residir, caso esteja a trabalhar ou não; e se não for residente em França, caso seja um cidadão/residente da União Europeia ou não.

Também poderá constatar que, enquanto o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) é um sistema único, o sistema francês é muito mais diversificado. O seu médico poderá enviá-lo para o hospital, mas, ao mesmo tempo, o seu médico poderá enviá-lo para um laboratório especializado para fazer testes ao sangue ou biópsias e, se necessitar da vacina anual da gripe, terá de recorrer à farmácia e não ao centro de saúde. Os resultados de Raio-X e Ressonâncias Magnéticas ser-lhe-ão dados num grande envelope e é da sua responsabilidade levá-los a quaisquer consultas futuras (o especialista poderá enviar os resultados por email, mas nem sempre pode contar com isso).

Uma ida ao hospital pode envolver os serviços dos sapeurs-pompiers (‘bombeiros’, mas eles fazem muito mais) ou SAMU (serviços de emergência) ou uma ambulância privada, para uma consulta de rotina de um paciente que não tem meios próprios para se deslocar.

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Viver em França

Se for um residente francês, precisa de obter uma carte vitale que lhe permite beneficiar da cobertura de 80% das suas despesas de saúde por parte do estado (100% em alguns casos, tais como doenças prolongadas, affections de longue durée). Poderá obter esse benefício através de um emprego por conta de outrem ou da associação profissional relevante, para os trabalhadores por conta própria, dependendo do tipo de actividade que desenvolve e a percentagem dessa contribuição dependerá do seu rendimento. Provavelmente quererá contratar um seguro suplementar com uma mutuelle para cobrir os restantes custos. De salientar que os reembolsos são baseados numa lista predefinida de preços, por isso, poderá ter de suportar as despesas por si próprio, se os cuidados de saúde forem particularmente dispendiosos.

É necessário algum esforço para conseguir as cartes vitales. Algumas pessoas aguardam até dois anos para as conseguir. Como é habitual com a burocracia francesa, ninguém sabe bem porquê!

Se for aposentado, as coisas são ligeiramente diferentes. Os britânicos podem obter um formulário S1 (estes protocolos devem continuar após o Brexit, apesar de tal não ser garantido) e outros cidadão da União Europeia têm direitos semelhantes em relação ao sistema de saúde. Os cidadãos extra-comunitários ou aqueles que se aposentaram antecipadamente, têm de pagar o seu próprio seguro de saúde.

Seguro de saúde para não-residentes

Se tiver uma casa de férias em França mas não residir cá permanentemente, terá de obter o Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) (que pode ou não ser útil para os residentes britânicos após o Brexit) ou um seguro de saúde privado.

De salientar que o CESD tem como objectivo colocá-lo no mesmo patamar de um residente francês, por isso, só cobre 80% das suas despesas. Poderá ainda contratar um seguro de viagem para cobrir o resto - uma estadia de uma semana e meia no hospital custa cerca de 1.500 euros, relativamente aos restantes 20% que terá de suportar.

Uma visita ao médico custa apenas 25 euros. São as restantes despesas que se acumulam - e lembre-se, os médicos franceses tendem a prescrever tudo o que eles acham que poderá precisar, incluindo analgésicos, vários testes de diagnóstico e vitaminas e, como tal, poderá acabar por pagar bastante por ibuprofeno, que conseguiria a um preço muito acessível em qualquer supermercado no seu país!

Padrões dos cuidados de saúde

Assim que estiver integrado no serviço de saúde, irá reparar que os cuidados médicos são disponibilizados com alguma petulância. Por exemplo, os hospitais não têm enfermarias comuns - os quartos têm uma ocupação dupla ou individual (para doenças infecciosas ou se estiver disponível a pagar um pouco mais).

Os testes de diagnóstico são requisitados sem ter em atenção ao seus custos, até que o médico esteja certo do diagnóstico. No caso de padecer de uma doença prolongada, irá deparar-se com uma ronda de testes, que serão efetuados pelo menos uma vez por ano, para assegurar que a evolução da doença está a ser acompanhada e que os efeitos secundários da medicação são rapidamente identificados.

Os profissionais de enfermagem franceses também são excelentes no controlo da dor - não é algo que esteja relacionado com o caráter individual.

No reverso da medalha, o serviço de saúde parece, por vezes, preocupar-se mais com a sua doença, do que consigo próprio. Por exemplo, a gravidez em França é acompanhada medicamente muito mais de perto do que no Reino Unido e optar por um parto não convencional pode ser muito difícil. (O lado positivo? São receitados exercícios pélvicos às mães francesas e, se necessário, há cuidados médicos para possibilitar que a área genital possa ser devidamente reabilitada.)

Terá, no entanto, acesso a um excelente padrão de cuidados de saúde e o direito a tomar uma decisão informada sobre o seu tratamento e os seus especialistas.